O Brasil tem um dos maiores sistemas de transplantes do mundo, mas ainda enfrenta desafios importantes para ampliar o número de doações. Em 2025, mais de 73 mil pessoas estavam em listas de espera por transplantes de órgãos e córneas no país.
Nesse mesmo período, 45% das famílias entrevistadas não autorizaram a doação, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Esse dado mostra como a informação e o diálogo sobre o tema ainda são fundamentais, principalmente porque, após a confirmação da morte encefálica, a autorização da família é necessária para que a doação de órgãos aconteça.
O impacto de uma doação pode ser muito significativo: uma única pessoa doadora pode salvar até oito vidas, além de beneficiar outras por meio da doação de tecidos.
É para ampliar o conhecimento sobre esse processo e incentivar a conversa sobre a doação de órgãos que acontece o Setembro Verde. O mês também marca o Dia Nacional da Doação de Órgãos e tecidos, celebrado em 27 de setembro.
Como funciona a doação de órgãos?
A doação acontece quando órgãos ou tecidos saudáveis são destinados a pessoas que precisam de um transplante. Ela pode ocorrer tanto em vida quanto após a morte.
No caso do doador vivo, a doação só pode acontecer quando não representa prejuízo para a saúde da pessoa. É possível, por exemplo, doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea.
Já a doação após a morte pode ocorrer depois da confirmação da morte encefálica e depende da autorização da família.
Os órgãos e tecidos disponíveis para doação variam em cada situação e podem incluir coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, pele, ossos, tendões e valvas cardíacas.
Quem pode doar órgãos e tecidos?
Pessoas saudáveis e legalmente capazes podem ser doadoras em vida, desde que sejam respeitados os critérios médicos e legais para cada tipo de doação.
Após a morte, a possibilidade de doar órgãos é avaliada pela equipe de saúde. Quando há diagnóstico de morte encefálica e condições para a doação, a família é consultada.
Na doação em vida, a legislação permite a doação entre parentes até o quarto grau e cônjuges. Nos casos envolvendo pessoas sem parentesco, pode ser necessária autorização judicial, com exceção da doação de medula óssea.
O que é morte encefálica?
A morte encefálica acontece quando há a perda completa e irreversível das funções do cérebro.
O diagnóstico segue critérios médicos específicos e não é feito a partir de apenas uma avaliação. No Brasil, existem protocolos definidos para confirmar a morte encefálica antes que qualquer processo de doação seja iniciado.
Mesmo que aparelhos continuem mantendo temporariamente algumas funções do organismo, como a circulação sanguínea, a morte encefálica significa que não existe possibilidade de recuperação das funções cerebrais.
Só depois da confirmação do diagnóstico é que a família pode ser abordada sobre a possibilidade de doação.
Por que a família pode recusar a doação?
Receber a notícia da morte de alguém próximo já é um momento difícil. Por isso, ter que decidir sobre a doação de órgãos nesse contexto pode trazer ainda mais dúvidas e inseguranças.
Entre os motivos que podem influenciar a recusa estão a dificuldade de compreender ou aceitar o diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alterações no corpo após a retirada dos órgãos, desconfiança em relação ao processo e o desconhecimento sobre a vontade da pessoa em ser doadora.
Uma dúvida comum é sobre a aparência do corpo após a doação. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico e, depois do procedimento, o corpo é recomposto. O velório pode acontecer normalmente.
Por isso, falar sobre o assunto antes que uma situação como essa aconteça pode ajudar. Quando a família já conhece a vontade da pessoa, a decisão pode ser mais clara.
Como funciona a fila de transplantes?
Os órgãos doados são destinados a pessoas que aguardam por um transplante dentro do Sistema Nacional de Transplantes.
A distribuição segue critérios técnicos. Entre os fatores considerados estão a compatibilidade entre doador e receptor, o tipo sanguíneo, a gravidade do quadro, características físicas e o tempo de espera. Em alguns tipos de transplante, também é necessária compatibilidade genética.
Isso significa que a escolha de quem recebe um órgão não é feita pela família do doador. O processo segue critérios definidos pelo sistema de transplantes para encontrar receptores compatíveis.
Como ser um doador de órgãos?
No caso da doação após a morte, um dos passos mais importantes é simples: conversar com a família.
A autorização familiar é necessária para que a doação aconteça. Por isso, deixar claro para as pessoas próximas que você deseja ser doador pode fazer diferença no momento em que essa decisão precisa ser tomada.
Falar sobre o assunto ajuda a esclarecer dúvidas e a tornar a doação de órgãos uma decisão mais conhecida e conversada entre as famílias.
A Eletros-Saúde apoia a informação e o cuidado
Neste Setembro Verde, a Eletros-Saúde reforça a importância da informação e do diálogo sobre a doação de órgãos. Conhecer como o processo funciona e conversar com a família são atitudes que podem ajudar a transformar uma decisão em uma nova oportunidade de vida para outras pessoas.
Doe vida, seja esperança!
Fontes:
- https://www.adote.org.br/noticias/dia-nacional-da-doacao-de-orgaos
- https://belem.ifpa.edu.br/publicacoes/82-informe-saude/752-informe-saude-setembro-verde-doar-orgaos-e-um-gesto-de-amor
- https://draliliancurvelo.com.br/setembro-verde-a-doacao-de-orgaos-salva-vidas/